Newsletter

Advertising

comentarios

 

 

PUBLIQUE ARTIGOS

 

Se desejar ver o seu artigo ou trabalho publicado no nosso site,

Contacte-nos

 

PUBLICIDADE

 

 

 

Bursite Subacromial

BURSITE SUBACROMIAL

Mais detalhes

e-Fisioterapia.com: Veja também os nossos directórios video, emprego, clínicas, emuito mais!!

0 .


 

BURSITE SUBACROMIAL

Drª. Andreia de Almeida

Drª. Biliana Stefanova

Drª. Marta Silva

( Fisioterapeutas )

_____________________________________________________________________________

 

Anatomia e Biomecânica da Cintura Escapular

Para melhor compreender o quadro clínico da patologia e a sua etiologia, apresentar-se-á uma breve abordagem em termos de anatomia do complexo do ombro.

A anatomia da cintura escapular permite mobilidade do membro superior. Como resultado, a mão pode ser colocada quase em todo o lugar dentro de uma esfera de movimento, sendo limitada primariamente pelo comprimento do braço e o espaço tomado pelo corpo. A mecânica combinada das suas articulações e músculos permite e controla a mobilidade.

B. Articulações sinoviais

ß Articulação gleno-umeral (GU)

Articulação triaxial, incongruente, com uma cápsula articular frouxa. É suportada pelos tendões da bainha rotadora e ligamentos gleno-umerais (superior, médio e inferior) e coraco-umeral. A cavidade glenóide (parte óssea côncava), localiza-se na margem supero-lateral da escápula. O lábio glenóide (fibrocartilaginoso), aprofunda a cavidade para dar maior congruência.

A parte óssea convexa é a cabeça do úmero. Somente uma pequena porção    da cabeça fica em contacto com a cavidade.

Com os movimentos do úmero (movimentos fisiológicos), a cabeça convexa               desliza na direcção oposta ao úmero.

Movimentos fisiológicos do úmero: Flexão, Extensão, Abdução, Adução, Rotação  interna, Rotação externa, Abdução horizontal e Adução horizontal.

Se o úmero é estabilizado e se a escápula se mover, a cavidade glenóide               côncava desliza na mesma direcção em que se move a escápula.

ß Articulação acromio clavicular (AC)

Articulação triaxial deslizante, plana, que pode ou não ter um disco. A fraca cápsula é reforçada pelos ligamentos acromioclaviculares superior e inferior e a estabilidade é dada primariamente pelo ligamento coracoclavicular.

A parte óssea convexa é uma faceta na extremidade lateral da clavícula e a côncava é uma faceta no acrómio da escápula.

Com os movimentos da escápula, a superfície do acrómio desliza na mesma direcção desta, uma vez que a superfície é côncava.

ß Articulação esternoclavicular (EC)

Articulação em formato de sela, tiaxial, incongruente, com um disco. È suportada pelos ligamentos esternoclaviculares anterior e posterior e pelos ligamentos interclavicular e costoclavicular.

A extremidade interna da clavícula é convexa no sentido de superior para inferior e côncava de anterior para posterior enquanto que a porção supra-lateral do manúbrio e da primeira cartilagem costal é côncava de superior para inferior e convexa de anterior para posterior.

Com os movimentos antero-superiores da clavícula, a superfície articular desliza na mesma direcção e com os movimentos e com os movimentos supera-inferiores a superfície desliza para o lado oposto.

Os movimentos da clavícula ocorrem como resultado dos movimentos escapulares de elevação, depressão, protração e retração. A rotação da clavícula ocorre como um movimento acessório quando o úmero é elevado acima da horizontal e a escápula roda para cima; não pode ocorrer como um movimento voluntário isolado.

C.    Articulações Funcionais

ß Escapulo-Torácica

Os movimentos da escápula requerem deslizamento da mesma sobre o tórax. Normalmente existe flexibilidade considerável de tecido mole, o que permite que a escápula participe de todos os movimentos do membro superior.

Temos como movimentos da escápula, a elevação, depressão, protração e retração, vistos com movimentos claviculares na articulação EC, movimentos de rotação para cima e para baixo, vistos com movimentos do úmero e também colocação alar do bordo medial e inclinação do ângulo inferior, vistos com movimentos na articulação AC simultaneamente com movimentos do úmero.

ß Supra-umeral

Inclui o arco coracoacromial, composto pelo acrómio e pelo ligamento coracoacromial, situando-se sobre a bolsa subacromial ou subdeltóideia. Esta bolsa fica sobre o tendão do supra-espinhoso e uma porção do próprio músculo.

Estas estruturas permitem e participam da função normal do ombro. O comprometimento desse espaço, uma mecânica deficiente, ou lesão dos tecidos moles nessa região, leva a síndromes de compressão.

D. Cápsula Articular e Membrana Sinovial

A cápsula articular fibrosa do ombro, envolve toda a articulação gleno-umeral. Esta cápsula é frouxa e laxa e para além da função mecânica de manutenção das superfícies articulares em contacto, constitui uma barreira à progressão de infecções para a articulação.

A laxidão da cápsula articular permite uma amplitude de movimento considerável, que é característica desta articulação.

A cápsula articular possui duas aberturas. Uma delas, na união da mesma com o úmero, permitindo que a longa porção do bicípite se introduza na goteira bicipital deste osso, por meio de uma extensão da membrana sinovial que funciona como uma bainha para o tendão da porção do bicípete. A outra abertura localiza-se abaixo do tendão subescapular permitindo a saída da membrana sinovial que dá origem a uma bolsa extracapsular, a bolsa subcoracóide.

A membrana sinovial envolve toda a superfície interior da cápsula articular fibrosa, bem como, as estruturas que penetram na cápsula.

B. Bolsa subacromial

As bolsas sinoviais são pequenas estruturas saculares, envolvidas por uma membrana sinovial semelhante à que recobre uma articulação verdadeira. A sua finalidade é facilitar o deslizamento dos músculos ou tendões sobre ossos ou superfícies ligamentosas.

Sobre o tendão da coifa dos rotadores do ombro encontra-se a grande bolsa subacromial. A sua extensão externa  pode designar-se por “bolsa subdeltoideia”, pois situa-se debaixo do músculo deltóide.

A bolsa subacromial facilita o movimento entre a grande tuberosidade do úmero, onde se inserem o supra-espinhoso, o infra-espinhoso e o pequeno redondo e o acrómio, durante a abdução do braço, movimento este que provoca a sua compressão

B. Principais Músculos

Alguns músculos que movem a cintura escapular têm origem na coluna vertebral ou nas costelas, e fixam-se na escápula.

Agindo como um todo, o Deltóide abduz o braço, sendo auxiliado nessa função pelo Supraespinhoso.

A acção combinada do Trapézio com o Grande Dentado permite a rotação da escápula na direcção posterior.

No início da abdução é necessário evitar o deslizamento da cabeça do úmero na cavidade glenóide. Isso é conseguido pelas acções do Infra-espinhoso e Pequeno Redondo, os quais têm fixação nas faces posteriores da escápula e do úmero e que são também rotadores externos do braço, e do Subescapular que se estende da face anterior da escápula à face anterior do úmero (que  é um rotador interno do braço). Assim, da coifa dos rotadores do ombro fazem parte, o Supra-espinhoso, o Infra-espinhoso, o Pequeno Redondo e o Subescapular.

Introdução à Patologia

A cintura escapular é grandemente solicitada em situações de trabalho, quer de uma forma dinâmica quer de uma forma estática.

As mudanças de intensidade ou duração da actividade são muitas vezes suficientes para o aparecimento de sintomas bem como de fadiga por uso excessivo do sistema musculo-esquelético.

Os ombros são bastante solicitados, quer em situações laborais como no próprio dia-a-dia e devido à complexidade desta articulação os problemas tornam-se complicados.

As tarefas repetitivas podem influenciar as fibras dos ligamentos  produzindo-se uma instabilidade articular aumentando o risco de lesão, sendo o período de recuperação prolongada, devido à fraca irrigação que possuem.

ß Etiologia

Na articulação do ombro, na área sujeita a repetidas pressões durante o movimento existe uma estrutura designada por bolsa subacromial que, tal como já foi referido, tem como principal função almofadar a região sujeita a atrito (tendão do rotador da coifa, mas essencialmente o tendão do Supra-espinhoso) reduzindo a fricção entre as partes móveis.

Por excesso de utilização o tendão pode tornar-se rígido, podendo caminhar para uma situação crónica ao afectar a bolsa subacromial adjacente provocando uma reacção inflamatória designada por Bursite Subacromial. Eventualmente, com a inflamação ocorre depósito de cálcio nesse tendão, e mais tarde interfere no movimento do ombro. Se a bursite persiste, os músculos poderão atrofiar ou degenerarem.

Referiu-se anteriormente que o movimento de abdução do braço irá provocar compressão na bolsa, bem como, a exagerada flexão. A elevação dos braços é considerada agressiva, em especial se for realizada durante longos períodos de tempo e envolver um trabalho muscular estático. Ora, por exemplo, um operador fabril ou um empregado de grandes armazéns, que tenha de realizar repetidamente estes movimentos para empilhar caixas em prateleiras elevadas, estará sujeito ao aparecimento de uma bursite. Também no desportista, o ombro está sujeito a uma infinidade de lesões traumáticas, quer provocadas por microtraumatismos directos por contusão ou indirectos por quedas em apoio palmar, quer ainda pelos stress gestuais repetitivos nas modalidades onde a utilização dos membros superiores é fundamental para o desenrolar harmonioso do gesto desportivo. Podemos dar o exemplo do jogador de Volleibool. Deste modo, conclui-se que os efeitos no corpo humano dos movimentos realizados dependem da postura adoptada, da força exercida para a realização do gesto e o número de vezes que é executado.

ß Quadro Clínico

A inflamação da bolsa subacromial manifesta-se por um quadro agudo, caracterizado por dores intensas ao nível do ombro, podendo irradiar à região cervical, ao braço e inclusive ao antebraço e dedos, acompanhando-se de uma incapacidade funcional marcada. O quadro poderá confundir-se facilmente com uma nevralgia cervico-braquial ou mesmo até com uma artrite séptica, pois poderá haver uma tumefacção, com calor local, ligeira febrícula e aumento da velocidade de sedimentação.

O exame radiográfico mostra com frequência áreas de calcificação.

ß Tratamento (em termos de Fisioterapia)

Fase aguda

Para aliviar a dor e promover cicatrização, é necessário repouso da parte afectada pelo processo inflamatório, colocando a tipóia para evitar irritação contínua da bolsa. Contudo, uma imobilização completa pode levar à aderência de fibrilhas em desenvolvimento de tecido vizinho, enfraquecimento do tecido conectivo e alteração na cartilagem articular, pelo que, é importante serem realizados períodos intermitentes de movimento controlado para manter amplitudes e inibir a dor.

Devem ser utilizadas técnicas leves (movimentos passivos) de mobilização articular na articulação gleno-umeral dentro do limite da dor e exercícios pendulares

Precaução: Se o movimento causar aumento de dor ou uma resposta inflamatória, provavelmente a dosagem estará a ser excessiva ou o movimento não deveria ser executado. É necessário cuidado extremo com os movimentos nesta fase.

A infiltração local de anestésicos e corticóides geralmente dá bons resultados clínicos.

Fase subaguda

Nesta fase a função deve ser recuperada sem se irritar a bolsa. É um período de transição durante o qual o movimento activo pode iniciar e progredir com cuidado. Se a actividade é mantida dentro de dosagem e frequência seguras, os sintomas de dor e edema irão diminuir progressivamente a cada dia. A resposta do paciente é o melhor guia para saber com que velocidade e intensidade deve ser a progressão.

Devido ao uso restrito da região lesada, ocorre certo enfraquecimento muscular, pelo que, inicialmente se devem aplicar movimentos isométricos dentro da tolerância do paciente, começando cautelosamente com resistência leve e ir progredindo para exercícios isotónicos com resistência conforme for tolerado.

Precaução: Se os sinais de inflamação aumentarem, a intensidade do exercício e

da actividade deve ser diminuída.

Carga estática e dinâmica

Alguns mecanismos causadores de lesão musculo-esquelética são o aumento de cargas estáticas e dinâmicas.

O músculo responde mal a carga estática porque este tipo de contracção limita o aporte sanguíneo para a respectiva área implicando alterações do desequilíbrio químico da mesma. Como consequência observamos sensação de dor e desconforto.

A ausência de conforto tem como consequência:

ß      A curto prazo:

-Distracção

-Aumento dos erros

-Diminuição da efectividade do trabalho

-Aumento dos acidentes

ß      A longo prazo:

-Doenças do sistema músculo-esquelético;

-Espasmos musculares;

-Inflamação dos tecidos moles.

As cargas estáticas que resultam da manutenção do corpo ou de partes deste em posições estáticas durante grandes períodos de tempo são mais fatigantes que as cargas dinâmicas produzidas através do movimento.

Por outro lado tarefas que requerem movimento frequentes e repetitivos de certas partes do corpo durante longos períodos de tempo podem ser igualmente causa de sobrecarga muscular .

Por isso, o melhor desenho do posto de trabalho é aquele que tem em conta a estrutura esquelética e muscular do corpo e a sua afinidade para o movimento e a necessidade para minimizar a carga estática.

Os problemas músculo-esqueléticos estão na maioria das vezes associados a uma inadequada posição e uma inadequada ajustabilidade dos distintos elementos constituintes dos postos.

Os estudos feitos mostram que as exigências músculo-esqueléticas do trabalho estão dependentes do conteúdo das tarefas realizadas. Estas tendem a diminuir quando o trabalho tem uma natureza menos repetitiva ou há possibilidade de pausas frequentes. As pessoas com menor probabilidade de problemas músculo-esqueléticos são aqueles cuja tarefa é de natureza variada e não são obrigados a permanecerem todo o tempo na mesma posição.

Uma das afecções musculares causadas pelo esforço repetitivo, ou seja pela execução contínua de determinados movimentos que afectam ombros braços antebraços pulsos mãos dedos e regiões escapulares é designada pela expressão "Repetitive Strain Injury" ou "lesões por esforço repetitivo". Esta expressão é utilizada para danos dos músculos, tendões e nervos e outros tecidos moles como resultado não só de uso excessivo mais também de um mau uso.

Os factores que podem induzir RSI são os seguintes:

ß      Factores Psicossociais e de Organização do Trabalho

- tempo de trabalho excessivo;

- velocidade do trabalho excessiva;

- movimentos muito repetidos e rápidos;

- pausas inadequadas para descanso durante o trabalho;

- grande controlo de supervisão;

ß      Adopção de Posturas Inadequadas no Local de Trabalho durante a Realização das Tarefas.

ß      Organização dos Vários Elementos Constituintes do Posto de Trabalho.

Trabalho na Posição Ortostática

A determinação da altura do plano de trabalho é de extrema importância  na concepção de postos de trabalho. Se o plano de trabalho é muito alto, é necessário compensar com um aumento da flexão dos ombros, que poderá provocar campos dolorosos ao nível das omoplatas, pescoço e ombros, nomeadamente o agravamento de uma situação crónica evoluindo para uma bursite subacromial . Se a altura do plano de trabalho é, pelo contrário,  insuficiente, a coluna terá de sofrer um encurvamento acentuado que provocará dor na musculatura para-vertebral. Assim sendo, a altura do plano de trabalho deve ser adaptada à altura do operador, quer este trabalhe em pé ou sentado.

A altura mais satisfatória do plano de trabalho, no caso de um trabalho manual, é de 5 a 10 cm abaixo do cotovelo. A altura média do solo ao cotovelo é de 105 cm para os homens e de 98 cm para as mulheres.

Podemos, assim, concluir que a altura média do plano de trabalho é de 95 cm a 1m para os indivíduos do sexo masculino, e  de 88 a 93 cm para os indivíduos do sexo feminino.

No entanto, para além destas considerações antropométricas, devemos ter em conta a natureza do trabalho:

ß No caso de um trabalho de precisão (por exemplo, desenho), os cotovelos devem estar apoiados  de modo a reduzir as cargas estáticas nos músculos para-vertebrais.  A altura ideal do plano de trabalho é de 5 a 10 cm abaixo do nível do cotovelo.

ß No caso de um trabalho que requira um grau médio de esforço, o plano de trabalho dever-se-à  situar 10 a 15 cm abaixo do nível do cotovelo.

ß No caso de um trabalho que requira grande esforço e que utilize o peso da parte superior do corpo, o plano de trabalho deve estar baixo: 15 a 40 cm abaixo do nível dos cotovelos. Isto poderá evitar a flexão excessiva do ombro de modo a prevenir eventuais casos de bursite.

De um ponto de vista ergonómico, a melhor solução é a concepção de planos de trabalho ajustáveis à altura do indivíduo.

 

CONTINUA...